quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Moeda

Urbano convicto decide férias. Prefere aventura. Adrenalina. Deserto. Não atenta que cartão de crédito será plástico inútil.

Na chegada surpresas. Percebe caprichos seus ignorados. Estranha não ser bajulado.

Parada da travessia com sol escaldante. Tenta comprar água extra, pois gastara seu suprimento se molhando. Ouve singela frase: "Dinheiro não vale nada agora, água é a moeda".

Num instante de boca seca compreende próximos séculos.

Bar

Final de dia segue para bar. Ponto de encontro. Chega cedo e só encontra duas simpáticas velhinhas. Dentro do balcão higienizam copos. Os três conversam.

Cerveja servida, uma, duas. Bar inda vazio. Elas trabalham, ele bebe, todos riem. Sente-se à vontade. Pergunta detalhes, interesses.

Lembra-se de algo que gostaria de saber: “A garçonete loira, bonita, como se chama?”

Elas riem muito. Depois de pausa a primeira responde: “Cíntia. Minha filha!”

A outra: “Casada com meu filho, dono do bar”

Silêncio.

Elas perguntam: “Algo mais?”

Ele: “A conta, por favor”

Extremos opostos

Aventura. Domingo. Nascer do sol. Espreguiça e aos poucos se despe do sono. Acorda para o consciente.

Silêncio. Pouco trânsito. Fica pensando na semana. Quinta estivera em reunião. Assunto: como preservar fortunas do imposto e dar continuidade. Religião preservar fortuna. Artimanhas jurídicas. Empresas "holdings" familiares e "off-shore".

Está indo a encontro de pessoas ligadas à vida na floresta. Hábitos simples. Valores telúricos, somente. Religião preservar planeta. Oração para agradecer mãe terra.

Extremos opostos se entrelaçam. Cara ou coroa?

Manhã

Entra na cozinha inda pouco iluminada. Sol demite escuridão. Espreguiça-se.

Ritual: vasilha de aço inox recebe água até um terço. Choque água-metal rasga ouvidos, então zunido dos acendedores do fogão derruba silêncio dos dias.

Faca desliza em pão integral. Separa fatia, que recebe mel, formando geográficos estranhos. Faz companhia à xícara de chá de hibisco, que exala cheiros novos. Dupla decora cenário com vermelho intenso e marrom confuso.

Come prazeres que o seguram vivo. Toma consciência: afazeres, memórias, emoções, amores. Adeus à noite. Dia existe.